De um lado temos a instituição, do outro temos as pessoas.
A instituição tem mais de 200 anos de história, durante os quais recebeu e educou milhares de cidadãos. Se não consegue resistir a uma situação excepcional ocorrida há 23 anos, não sei o que vos diga.
As pessoas são pessoas que eu respeito, e que merecem (e precisam de) uma reparação pública e/ou privada por situações em que foram envolvidas e nas quais tinham, muitas vezes, 0% de culpa.
Não procuram vingança, porque senão descreviam os factos "tintim por tintim", indicavam os nomes dos culpados, e enviavam os links dos "posts" por e-mail para as famílias deles.
O que procuram então? Humanidade.
Se é verdade que na altura tínhamos 16 anos, hoje não temos. Se na altura por vezes não tínhamos a noção dos limites, hoje temos. Se na altura éramos jovens aventureiros e solitários, hoje temos mulher e filhos. Se na altura alinhávamos em "carneiradas", hoje sabemos demarcar-nos dssas situações.
Hoje sabemos que algumas situações do passado foram mal geridas. Hoje, os agressores que têm consciência vivem com o estigma de terem sido agressores, e as vítimas vivem com o estigma de terem sido vítimas. Todos fingem que já não se lembram, e são capazes de se cumprimentar e conviver no "3 de Março", mas as marcas estão lá.
Não quero que este "blog" seja o programa da Oprah, mas deixem-me dizer-vos que acho que já era tempo de algumas pessoas procurarem algumas pessoas e falarem com elas de alguns assuntos do passado. E pedirem desculpa.
Vai adiantar alguma coisa? Acreditem que vai.
Repito: Humanidade.
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Posted by Pedro Chagas to No Divã da "Enferma": O Botão Encarnado at 11/01/2006 06:04:37 PM