terça-feira, janeiro 23, 2007

A Punição Que Eu Não Tive

Chagas,
 
Lembro-me "ferpeitamente" desee episódio e desse fim de tarde Memorável!
 
Da tua altercação verbal com o Ten. Fernandes (acho que era esse o nome mesmo - a gente não o chamava de "Cabo" Fernandes, por acaso? - carinhosamente, claro!...) e de mais uns percalços e cenas engraçadas dessa prova de orientação.
 
Não tinha conhecimento, era que isso tinha chegado a "Admoestação verbal"!... ;-)
 
Lembro-me que fomos uma das últimas patrulhas a chegar ao acampamento, mas conseguimos orgulhosamente cumprir, afinal, TODOS os pontos do trajecto (porque voltamos atrás e colmatámos o posto de controlo em falta), o que não aconteceu com as outras patrulhas, que também passaram, invariavelmente de n-1 para n+1.
 
Que afinal, pelo que soubemos, não sofreram grande penalização por isso... contrariamente à nossa, que por uma questão de brio, se viu em grandes dificuldades e esforços, a pontos de só chegarmos ao "Bivouac" já era de noite e as restantes patrulhas já estavam a jantar. E isto em Junho! Anoitecia para lá das 21h00-21h30...
 
Ficou célebre uma frase do "Vasquinho" - 555:
 
...a meio de um monte ingremíssimo que escalámos para "cortar caminho" - nessa tarde aprendi que se pode flanquear ou ladear um monte, com apenas 1/10 do esforço e em 1/2 do tempo - e em grande dificuldade para respirar com o cansaço, finalmente o "Vasquinho" atirou-se ao chão, exausto, gritando: "Vou morrer, vou morrer, preciso Oxigénio! Preciso Oxigénio!".
 
Acorremos preocupados, até porque às vezes ele já tinha apresentado alguns sintomas de asma, tentando apoiá-lo....
 
Ora, assim que se viu rodeado da malta, imediatamente o "Vasquinho" sacou sofregamente de um maço de MARLBORO, acendeu uma cigarrada, puxou uma longa baforada e gritou a plenos pulmões, ecoando pelo monte da Tapada de Mafra: "Oxigéééénio!AHHH!!....". Atirámo-nos para o chão a rir, agora éramos nós, sem conseguirmos respirar! Não queríamos acreditar!...
 
Não me esqueço também dessa tarde, pois apanhei uma caganeira monumental à pala de um bornal cheio de morangos que apanhei num "pequeno desvio" da rota de estrada, durante essa prova de Orientação.
 
Havia um morangal mesmo à beira da estrada e não resisti à tentação de apanhar uns quantos... nem algumas horas mais tarde, aos efeitos dos pesticidas, porque não me dei ao trabalho de lavar os ditos morangos.
 
Assim, tive oportunidade de experimentar amuídes vezes nessa noite, as famosas latrinas de campanha, que consistiam num perímetro de rede de camuflagem, e, apoiada em 2 bidons, uma tábua de madeira com uns buracos com cerca de 2/3 do diâmetro circunscrevente do rabo de um colegial médio, o que fazia com que um colegial mais "míudo" , quase caísse dentro da "ETAR" da latrina, a qual era composta de uma vala subjacente com 1 metro de profundidade, colectando os resíduos sólidos e líquidos provenientes de 150 mamíferos, a qual era, ecologicamente, tapada com terra, após o levantamento do "Bivouac".
 
Com o Karma que tenho, espero que na minha próxima reencarnação, não venha a ser minhoca na Tapada de Mafra!...
 
Também tenho uma engraçada para contar do nosso querido Aspirante/Alferes Brito (que mais tarde, para mal dos meus pecados, veio a ser meu Professor no I.S.Técnico em 2 ou 3 disciplinas - Estática, Betão Armado e Dimensionamento de Estruturas), referente a uma altercação que tive no 7.Ano durante uma prova de orientação similar, agora já na Carregueira.

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Posted by Jags to A Punição Que Eu Não Tive at 23/1/07 20:02