Anónimo deixou um novo comentário na sua mensagem "A Cobardia (Parte I)":
Imaginemos uma eventual entrevista,
...o que disser poderá ser muita coisa; Histórias mirabolantes fruto da minha imaginação psicadélica; relato verídico e devidamente condimentado com personagens mais ou menos fictícias ou adaptadas; um documentário realista e exaustivo, há para todos os gostos...
A transparência desprendida de objectivos, que não sejam o apuramento da verdade e factos aberrantemente contrários às normas de vivência em Sociedade, é de louvar.
A transparência enviesada, obsessiva, tendencial, facciosa destrutivamente interessada, é uma tirania, como outras formas de opressão e abuso de poder.
Quem prevaricou, abusou da autoridade que lhe foi outorgada, foi caso isolado, e que vá para a rua, ou seja demitido ou expulso do CM, ou do Exército, ou do Governo. Quem se manteve correcto, não deve ser prejudicado nem enxovalhado. Separe-se o trigo do Joio, assumam-se as culpas onde as houver que assumir. O CM só tem a ganhar com isso.
Existe um Regulamento de Disciplina Interno do Colégio, baseado no Regulamento de Disciplina Militar, adaptado à realidade e funcionalidade colegial. Esse regulamento, embora passível de críticas e actualizações a recomendar, é, na sua generalidade, justo e civilizado.
Tudo o resto, era código obscuro e discricionário. Como em qualquer sociedade ou mini-sociedade fechada.
Não era lei, não era geral, nem regra, não era justo nem era sequer encorajado. Não estava escrito em nenhum manual, nem estava preconizado em nenhuma directiva ou conselho de quem quer que seja.
Não era sequer, e isto é real, discutido entre quem o aplicava.
Não se sabia bem de onde tinha vindo nem quem tinha inventado.
Poderia ser um código socialmente correcto, humano. E era-o em espírito, não o era na prática, devido à tentação, ao desleixo e à banalização e consequentes abusos do mesmo. Por outro lado, esse código era necessário, porque o tal sistema fechado não funcionava sem elas no seu estado de maturidade, à altura.
Simplesmente, não funcionava.
Tive a oportunidade de tentar aplicar um código alternativo a nível local (ou seja, num grupo restrito de indivíduos ) e não funcionou, pelo contágio a que os restantes os expunham.
Todos os intervenientes, desde alto a baixo, desde o aluno ao pai do aluno, desde o Sargento ao General, desde o Professor ao Médico, desde o Fâmulo que limpava o geral, ao soldado que limpava as bostas dos cavalos, desde os vários Ministros da Educação ou da Defesa, aos vários Presidentes da Republica, tinham conhecimento de como o sistema funcionava. Todos.
Essa é a verdade. Por mais que não consigam agora engolir, digerir e expulsar (eufemisticamente) a verdade cá pra fora.
À luz da sociedade da década de 30-40-50, do Século XX, o sistema funcionava.
Durante o Séc. XIX e no início do Séc. XX, o sistema e o código de conduta eram bastante diferentes... mais Aristocrata, mais British! Era uma instituição que nesse período só recebia como alunos, os filhos da nata Aristocrática e Burguesa, civil e militar, da Sociedade, desde filhos da Realeza aos dos mais altos dignatários da altura.
O elevar da burguesia e classe média no início do Século XX, um maior equilíbrio entre as classes sociais e consequente diminuição de estatuto, nível social, cultural e económico do aluno médio, retirou alguma da elegância, e altivez ao código de conduta colegial. Nesse período, os alunos do CM, eram equiparados socialmente a oficiais do Exército, aliás quase todos viriam a ser os futuros comandantes das forças militares e políticas. Alguns, eram convidados e recebidos na Corte Real, apenas por serem alunos do Colégio, que até se designava por RCM - Real Colégio Militar.
Hoje em dia, ambos os códigos não escritos de conduta, nem um nem outro, funcionam.
Não na geração da Banda Larga, Internet, dos 400 canais de TV, iPOD, iPhone, e do "não me toques que me desafinas o aparelho dos dentes"...
401/77 - Fózi - João Simões
(Continua já a seguir)
Publicada por Anónimo em Colégio Militar 1977/85 a 3/11/09 04:32