Quando chamei a esta série "No Divã da Enferma", estava longe de imaginar que ia despertar este tipo de memórias - mas ainda bem que as despertei.
Assumo que a totalidade dos visitantes deste "blog", ou pelo menos dos que se dão ao trabalho de "escavar" até às páginas secundárias, são ex-alunos do Colégio ou pessoas com alguma ligação ao Colégio. Se são apenas visitantes distraídos, é importante que saibam que tudo o que os escandaliza também nos escandaliza.
Tenho que reconhecer que, na época em que frequentei o Colégio, havia momentos de “paranóia colectiva” em que se ultrapassavam todas as marcas e se praticavam actos de violência em nome da Justiça. Sou mesmo capaz de afirmar que, sempre que se praticavam actos de violência, era em nome da Justiça.
Essa “paranóia colectiva”, com interrogatórios e castigos individuais e colectivos, surgia normalmente associada a dois temas: suspeitas de práticas homossexuais e suspeitas de furtos. Nessas alturas, os graduados mais equilibrados eram frequentemente ultrapassados pelos mais “primários”, e o resultado era geralmente um processo patético, que daria para muitas gargalhadas, não fosse o facto de ser geralmente bastante violento e marcar de forma terminal alguns camaradas, que acabavam por sair, quer fosse de imediato, quer fosse no fim do ano. Felizmente que estas situações eram muito excepcionais (mas vão lá explicar isto a quem as viveu…).
O jags conseguiu passar por uma dessas situações e seguir até ao fim. Que eu me lembre, foi o único. E não foi certamente só por o pai o “mandar para as obras” se saísse que ele decidiu continuar no Colégio.
Pela informação que tenho obtido (“blogs”, contactos pessoais, etc), o Colégio já eliminou por completo estas práticas. Ainda bem.
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Posted by Pedro Chagas to No Divã da "Enferma": O Botão Encarnado at 10/08/2006 01:05:05 AM