segunda-feira, outubro 23, 2006

"Área Reservada"

Mas o Cavanço que ficou mais célebre no nosso curso, foi aquele cavanço em massa no 6. Ano para "resolver" um assunto de ajuste de contas com uns salafrários de Benfica, que uma semana antes tinham sovado dois camaradas nossos do 7.Ano, numa dada rua.

Numa só noite, a seguir ao jantar, cavaram cerca de 100 Alunos, entre graduados, alunos dos 6. e 7.Anos, e mais dois ou três "potentes" do 5. Ano escolhidos pelas suas aguerridas capacidades de bruto-ball. Estamos a falar 1/6 do Batalhão!

Foi obra!... qual STALAG 17 ? (a fuga mais célebre da II Guerra Mundial), qual fuga dos PIDES?!...

... naquela noite fez-se história... de cordel.

Tudo correu mal desde o início.

...desde a organização do evento - descoordenada e orientada apenas para a demonstração de força pelos números, em vez da eficácia das acções planeadas - ao decorrer das movimentações de rua, às lamentáveis confrontações à pedrada - qual "Intifada" precoce;

...à célebre estratégia do "Martelo" - defender a rectaguarda a todo o custo rapidamente e em força (usando para isso, uma técnica híbrida da Técnica do Arantes, em que corria como um Morcego a fugir do Inferno, batendo com os pés no cú até doer);

...e ao infortúnio de alguns camaradas no decorrer da operação, nomeadamente de um ter sido atropelado por um carro, e outro deles, inclusivamente ter sido preso temporariamente, por estar em uniforme camuflado e com um cano serrado em bico na mão, se não estou em erro.

Mas o pior ainda estava para vir...

Quando o “Corpo Expedicionário”, duvidosamente glorioso, começou a saltar o muro de regresso ao Colégio, estava o Sant’Ana Pereira, na altura o TC, à espera dos “Legionários”, mas não era para os condecorar por Actos Heróicos Além-Mar! Era para os lixar, e bem...

Os que ele não apanhou junto ao muro, veio depois apanhar calmamente, à porta das Camaratas, a entrarem sorrateiramente, recebendo prontamente o respectivo “calduço” e puxão de orelhas da praxe.

Nunca entendi, porque é que isso sucedeu, dado que o Cavanço foi organizado com o aval e a participação dos graduados, nomeadamente os dois filhos do TC, ambos Comandantes de Companhia (3ª e 4ª). Traição parricida? Ou para salvar a face oficial devido aos problemas que tinha havido na rua?

Ficou nessa noite igualmente célebre, a Cantada do Artista - qual Ilíada, qual Odisseia, qual Eneida, quais Lusíadas? - de autoria do Martelo, sobre o decurso e resultados da “Batalha”... o que nós gargalhámos nos tempos subsquentes!... um prato! Uma pérola!

No dia seguinte, Sexta-Feira, 4ª Companhia formada no Campo de Futebol, manejo de arma Mauser cerrado, durante duas horas, a toque de caixa e gritaria de megafone a fazer distorção, da qual ainda me lembro um excerto: “ ...os Srs. Alunos... serão punidos até ao máximo da minha competência!! Dou a minha palavra de Honra!!!”....

Bom, acabaram por não ser...

...ficou-se tudo por um punição de privação de saída durante uns fins-de-semana para os que se deixaram apanhar e uma admoestação verbal agravada, para os graduados. Nada mau, vistas as coisas!

Lá está a contribuição do Factor 1 que o Chagas referiu.

O que foi interessante, é que no decorrer do cumprimento dessas privações de saída de fim-de-semana, existiram um conjunto de circunstâncias que levaram à criação do famoso “Grupo da Copa”... com muito mais alto nível de eficácia e produtividade. Embora com fim igualmente tragi-cómico...

... mas isso é outra história ;-)

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Posted by Jags to "Área Reservada" at 10/23/2006 02:55:45 AM